terça-feira, 17 de maio de 2016

A história de um milagre - parte VIII

Ao chegarmos no neurocirurgião que havia operado a Emilly, ela com exatos 10 meses de vida, entramos e nos sentamos, enquanto ela andava por todo o consultório sozinha.
O médico, conversava conosco mas o olhar dele estava totalmente na Emilly.
Após alguns minutos o Emerson diz:
- Olha aí Dr. a criança que, segundo o senhor jamais iria andar! Está com 10 meses e como o sr pode ver, andando perfeitamente para honra e glória do meu Deus.
Logo em seguida o médico responde:
- É Emerson, as coisas na medicina mudam...
E assim, o Emerson responde:
- Não meu querido, o Deus que eu sirvo tem o poder de mudar qualquer coisa na medicina.
O médico, que nunca escondeu de nós que era e sempre foi ateu, se calou.
Logo ele olhou os exames que fomos levar para ele avaliar e mais que depressa nos disse:
- Pais, houve um aumento significativo na cabeça dela, precisamos operá-la para a colocação da válvula, urgente! E isso é coisa para ontem, viu, mãe?
Não, tudo, menos isso!
Eu não queria que a minha filha passasse por mais uma cirurgia!
Quanto sofrimento para um serzinho tão pequeno! 
Eu não aceitei a decisão do médico. Não queria fazer essa nova cirurgia. E ele, ainda nessa conversa, olha para a Emilly e nos diz:
- Outra coisa, vocês tem que ter consciência de que mesmo ela andando, o que é muito bom, não significa que sairá das fraldas, ela precisará usar fraldas para sempre. Como foi cortada a medula dela, ela não terá o controle do esfincter.
Eu não aceitei a decisão dele e nem dei bola para a última frase que ele disse!! A certeza de que Deus estava no controle era tão grande, que eu me recusava a aceitar opiniões, mesmo vinda de um médico.
Saímos do consultório, eu com a Emilly no colo, abraçada comigo enquanto eu chorava muito.
Não queria saber, não iria deixar minha pequena operar novamente!
O Emerson, tranquilo como só ele sabe ser, me disse para procurarmos um outro neurocirurgião, para saber uma segunda opinião à respeito do assunto.
E assim fizemos.
Marcamos uma consulta com um outro médico e no dia marcado, lá estávamos nós três. Quando entramos o médico nos perguntou o porque estávamos ali. O Emerson respondeu:
- Trouxemos a nossa filha, ela nasceu com meningomielocele e foi operada...
O médico neste momento interrompeu o Emerson:
- Ela nasceu com o que?
O Emerson, responde:
- Meningomielocele.
O médico, que via a Emilly andando sozinha pelo consultório, logo se levanta, pega ela no colo, tira toda a roupa dela e começa a examiná-la.
Logo, vê a tomografia feita assim que ela recebeu alta e compara com a tomografia feita por ultimo. E novamente nos pergunta:
- Vocês têm noção do que é meningomielocele? Gente, eu não vou falar como médico não, vou falar como pai que sou, pois tenho uma filhinha de 3 anos. Eu não acreditaria se me contassem, mas estou vendo. Essa criança andando e falando e ainda nessa idade, 10 meses? Olha pais, ela está super bem. É uma criança alegre e expressiva. Vamos colocar essa válvula, não por precisão, pois no laudo vejo que ela não precisa. Mas vamos colocar por precaução. Pois se esperarmos ela vir a precisar para colocar, ela poderá regredir, se prostrar, deixar de falar e andar. Agora, uma vez que colocarmos por precaução, se um dia ela vier a precisar da válvula, ótimo! Ela estará lá. Mas se ela nunca vier a precisar, ótimo também, pois não precisará retirar.
Estas palavras me motivaram a fazer a coisa certa.
Dizer que foi fácil, não é verdade. Para nós, foi uma decisão completamente difícil e dolorosa a se tomar. Mas se era melhor para a Emilly, Deus nos daria forças para suportar tudo isso.
Eu só cheguei a conclusão de que esta seria mesmo a melhor escolha, depois de muito conversar com o Emerson e avaliar tudo que o médico havia nos dito.
Ver a Emilly andando e falando, sorrindo e interagindo, se desenvolvedo perfeitamente dentro da normalidade, linda e perfeita... Era exatamente assim que eu gostaria de vê-la sempre!
Voltamos ao neuro que havia operado a Emilly e assim o informamos de que poderia marcar a cirurgia. Na certeza, de que o mesmo Deus que cuidou dela até então, estaria no controle de tudo. E com certeza não nos abandonaria.

Continua...

Emilly com 10 meses

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* Este texto foi escrito por Carla Toledo, é uma história real, vivenciada na cidade de Belo Horizonte (MG - BR) iniciando-se no ano de 2001 e,  está dividida no blog por capítulos para facilitar a leitura e compreensão dos fatos narradas pela autora.



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