quinta-feira, 5 de maio de 2016

A História de um milagre - parte VI

Eu chorei muito Ao receber a noticia da cirurgia, pois acreditava que a Emilly nasceria sem o problema.
Nós fazemos os nossos planos, Mas é Deus quem executa. Os propósitos do Senhor não são os nossos. E todas as coisas cooperam para o Bem daqueles que amam à Deus.
12 de maio de 2002, um dia após o nascimento da nossa filha, o neurocirurgião entra no apto e nos comunica que havia ocorrido um  imprevisto e que a cirurgia havia sido adiada para a manhã do dia seguinte.
13 de maio de 2002, segunda-feira, às 9:00 hs. da manhã. Nossa pequena entra para o bloco cirúrgico.
Apesar da certeza, de que Deus estava no controle de tudo, o nosso lado humano nessa hora, fala mais alto. Quanta ansiedade, medo e preocupação, invadiram meu ser naquele momento.
Ansiedade, em saber, como seria essa cirurgia?
Medo, da nossa pequena não suportar uma cirurgia tão delicada e demorada.
Preocupação, em saber se tudo estava ocorrendo bem.
15 horas e 45 minutos, o neuro cirurgião vai até o apto, onde eu me encontrava. Eu estava dormindo, pois haviam me dado um tranquilizante. Ele chamou o Emerson na porta e nesse meio tempo eu acordei. Eu escutei um grito e choros da minha irmã Michelle.
Pronto! Já havia imaginado o pior. Minha filha não resistiu!
Ainda meio "grogue" do efeito do remédio, comecei a chorar e ficar muito inquieta na cama, chamando pelo Emerson. Minha Mãe e minha sogra entraram no quarto, com os olhos muito vermelhos, de quem estava chorando. Eu perguntei sobre a Emilly e elas apenas me comunicaram que ela estava bem. O Emerson e a minha irmã Michelle demoraram para entrar. Quando entraram, também com o semblante de quem estava chorando muito, a minha irmã se debruçou em cima de mim, me abraçou e em lágrimas me disse:
- Ela vai andar sim, Carla! Jesus está cuidando dela.
Eu perguntei ao Emerson o que estava acontecendo. Pedi à ele para que não escondesse nada de mim.
Ele, passando as mãos em meus cabelos, com um sorrisinho timido, me disse que a cirurgia havia acabado, que havia durado 6 horas e que a Emilly estava bem.
Conhecendo o meu marido, como conheço, logo percebi que ele estava escondendo algo de mim. Então pedi para que ele me contasse tudo.
Então ele me disse, que o neurocirurgião que operou a Emilly, falou que a nossa pequena era uma guerreira muito forte, que ela suportou 6 hs de cirurgia e que a cirurgia havia sido um sucesso, mas que infelizmente, havia sido cortada a medula dela e que ela jamais iria movimentar as suas perninhas novamente, a nossa filha, nunca iria andar.
Só, que o que os médicos não sabiam, é que a Emilly não estava sendo operada por eles, mas sim, pelas mãos do Senhor! Eles estavam sendo apenas instrumentos usados por Deus, para a realização desta cirurgia.
O Deus do impossivel, cuidava para que tudo desse certo.
Eu pude vê-la apenas no dia seguinte. Quando eu cheguei na UTI, quanta dor em meu coração ao ver a minha pequena guerreira, cheia de fios, sonda, aparelhos e ainda por cima, dentro de uma incubadoura.
Enquanto eu estava chorando, olhando para ela e agradecendo à Deus por estar cuidando dela, ela acorda, abre os olhinhos, olha pra mim, como se me reconhecesse e começa a bater as perninhas, ao ponto de arrancar um dos aparelhos que estava ligado nela!! O Emerson olha pra mim chorando também e então o neuro se aproxima. Mostramos para ele, ela movimentando as perninhas. Ele apenas nos informou que aquilo era uma reação normal e que não significava nada.
Para ele podia não significar nada, mas para nós, estava claro, o agir de Deus na vida da Emilly.
No dia seguinte, meu obstetra entra no apto e assina a minha alta.
Foi muito difícil e doloroso para mim, sair daquele hospital e não levar a minha pequenina comigo.
Enquanto todas as mães recebiam alta e saiam do hospital com seus filhos nos braços, eu tinha que me contentar em poder vê-la, apenas algumas vezes durante o dia.
Fui embora chorando e com o coração muito apertado.
Aquela não era a cena que eu imaginava para nós naquele momento. Mas Deus sabe de todas as coisas.
Resguardo? O que é isso? Não me apresentaram.
Apesar de ter tido cesariana, quatro vezes ao dia eu ia ao hospital amamentar a Emilly. Mesmo com o desconforto dos pontos, todas as vezes que eu entrava e sentava no banco do carro, para mim era um momento de glória! Poder ver, tocar e amamentar a nossa pequena. Assim eu fazia, com grande prazer e satisfação por onze longos dias.

Emilly Victoria após a cirurgia


Continua…

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* Este texto foi escrito por Carla Toledo, é uma história real, vivenciada na cidade de Belo Horizonte (MG - BR) iniciando-se no ano de 2001 e,  está dividida no blog por capítulos para facilitar a leitura e compreensão dos fatos narradas pela autora.
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