segunda-feira, 25 de abril de 2016

A história de um milagre - parte IV

Entre muitas idas e vindas, exames, consultas, choros, angústia e o total sentimento de impotência, nem nos EUA existia um tratamento intra-uterino para tentar resolver o problema...
Em uma noite em que eu questionava muito à Deus, Ele me fez dormir e ao dormir, sonhei que estava em um lindo campo verde e florido e a Emilly vinha correndo em minha direção com duas chuquinhas nos cabelos, linda! Com os cabelos lisinhos, ela moreninha, vinha correndo e abraçava as minhas pernas. No sonho, ela tinha uns 2 aninhos.
Eu acordei, vi que estava sonhando, acordei o Emerson, e disse à ele:
- Acorda amor! Eu sonhei com a Emilly! Ela será linda, meu bem! Como você! Ela é a sua cara! Ela vai andar sim, amor! Ela será perfeita!
O Emerson me abraçou naquele momento e me confortou:
- Claro que ela será linda, meu bem! Ela será linda como a mãe!
Ele me abraçou e assim voltamos a dormir.
Era uma noite de sábado.
No dia seguinte, eu acordei chamando o Emerson para irmos à igreja. Coisa que não fazíamos a muito tempo, desde que eu havia entrado em depressão.
O Emerson, mais que depressa, aceitou o meu convite e assim fomos.
Eu entrei chorando na igreja. Me sentei, ouvi toda a pregação chorando e naquele dia, Deus usou o pastor, para falar comigo.
Toda a mensagem foi falando sobre a força da fé.
Que se tivermos fé do tamanho de um grão de mostarda e pedirmos a um monte que passe daqui para ali, ele passará.
Que Aquele Jesus que um dia andou aqui na terra, curou enfermos, ressuscitou mortos, fez cegos enxergar, paralíticos andar, fez de estéril mãe de filhos, sim, este Jesus é o mesmo, Ele nunca mudou. A nossa fé que é muito menor do que a fé daquele povo de antigamente.
Assim, chorando muito, ouvi toda a pregação e senti que Deus queria me confortar naquele momento.
Ao término do culto, um senhor foi a frente e cantou a música, Deus do impossível, da Aline Barros. Essa letra reforçou pra mim, naquele momento, que o meu socorro vinha somente do Senhor!
Ao chegar em casa, entrei para o quarto onde seria o quarto da Emilly. Apesar de estar com 7 meses de gestação, ainda não havia arrumado nada, pois como o médico disse que eu poderia perder a minha filha a qualquer momento. Minha mãe não me deixou arrumar nada do enxoval, pois ela tinha medo, se caso eu viesse a perder o bebê, entrasse em uma depressão ainda pior, me isolando dentro deste quarto.
Então, ali no quarto, sozinha, apenas Deus e eu, me ajoelhei em um cantinho e de olhos fechados, comecei a falar com Deus...
- Senhor, acalme o meu coração! Eu sei que a Tua vontade é boa, perfeita e agradável. Mas também sei, que o Senhor tem poder para mudar toda e qualquer situação. Eu sei que o Senhor pode curar a minha filha se esta assim for a Tua vontade, eu só Te peço Senhor...Me dê forças para viver, forças para lutar pela minha filha e aceitá-la, da forma que o Senhor me mandar. Eu quero a minha filha Senhor, mas conforte o meu coração, pois quem está vegetando sou eu, Pai.
Naquele momento me levantei, não sentia meus pés tocarem o chão. Parecia que eu estava flutuando. É indescritível o que senti naquele momento. Eu segurava nas paredes para não cair. Senti Deus verdadeiramente me conduzir. Ele me deu paz, conforto para minha angústia e colocou alegria novamente em meu coração.
Depois desta experiência única, que vivi com o Senhor, eu acreditava que Deus curaria minha filha na minha barriga e que tudo após o nascimento seria perfeito!
Eu voltei a sorrir, a falar com as pessoas e a minha depressão, foi como se Deus tivesse arrancado de mim. Do nada, ela desapareceu.
Eu havia entrando para o oitavo mês de gestação. E mesmo o médico me preparando para os problemas que a Emilly teria, eu já não acreditava mais nisso.
E assim fomos até as 38 semanas de gestação, quando o médico me preparou para na próxima semana fazer a cesariana.
Sim, seria necessário fazer cesariana para a preservação da bolsa formada no final da coluna. Não podia correr o risco de entrar em trabalho de parto. Então, quando ele viu que a minha filha estava pronta para vir ao mundo, resolveu fazer a cesariana. E neste momento ele me preparou dizendo:
- Carla, você irá ficar no apartamento do hospital por 3 dias após o parto. Depois você irá para casa. A Emilly não irá com você, pois ela precisará ficar na UTI do hospital. Ela terá que ser submetida à primeira cirurgia um dia após o nascimento. Se tudo der certo, logo ela fará a colocação da válvula na cabecinha, pois, com o fechamento da coluna, a cabeça começará a crescer e aí teremos que conter o início desta hidrocefalia.
Apesar de todos os exames constarem o problema, eu estava com o coração confiante, sentia que a nossa filha não iria precisar passar por nada disso.


(continua…)

finalzinho da gravidez


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* Este texto foi escrito por Carla Toledo, é uma história real, vivenciada na cidade de Belo Horizonte (MG - BR) iniciando-se no ano de 2001 e,  está dividida no blog por capítulos para facilitar a leitura e compreensão dos fatos narradas pela autora.

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